Livros

Quando não há mais o que fazer

cancer“O Imperador de Todos os Males” é um dos grandes livros de não-ficção dos últimos anos. É a “biografia do câncer”, a doença que provavelmente mais nos aflige hoje (pela devastação do corpo, pela incerteza sobre a cura). O livro consegue explicar seu impacto no mundo de uma forma extremamente clara e fluida. E o autor, Siddhartha Mukherjee, não é um profissional da escrita, é um médico.

Seu grande trunfo, talvez, seja a sensibilidade. Essa passagem, sobre uma doente terminal que estava aos cuidados de Mukherjee, é uma das evidências disso. Cuidado com o nó na garganta.

“Sorenson estava na clínica aquela manhã para ver se podíamos oferecer-lhe outra coisa. Usava calça e camisa branca. A pele finíssima estava toda vincada por linhas secas. Talvez tivesse chorado, mas seu rosto era uma cifra que eu não conseguia ler.“Ela está disposta a tentar qualquer coisa, qualquer coisa”, suplicou o marido. “É bem mais forte do que parece.” Mas, forte ou não, não havia mais nada que pudéssemos tentar. Fitando os pés, eu não conseguia enfrentar as perguntas óbvias. O médico do hospital mudou de posição, desconfortavelmente, em sua cadeira. Beatrice finalmente quebrou o silêncio embaraçoso. “Desculpem.” Ela balançou os ombros e lançou um olhar vazio, como se pudesse ver através de nós. “Sei que já tentamos tudo.”

Assentimos com a cabeça, envergonhados. Acho que não era a primeira vez que uma paciente consolava um médico pela ineficácia de sua profissão.”

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