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Oscar Niemeyer 1907-2012

niemeyerTive o privilégio de conversar por mais de 1 hora com Oscar Niemeyer pela Folha de S.Paulo em 2006. A ocasião eram os 40 anos do edifício Copan, até hoje um dos meus cenários favoritos de São Paulo. Me espantou a lucidez e até a malandragem na hora de responder as perguntas mais capciosas.

Curva do Copan é a linha do terreno, diz Niemeyer

DO ENVIADO ESPECIAL AO RIO

“Isso é uma bobagem”, costumava responder Oscar Niemeyer, lacônico, quando questionado sobre a época em que projetou uma série de edifícios em São Paulo nos anos 50, sendo o Copan o principal deles. No entanto o maior arquiteto brasileiro, 98 anos completados em dezembro, já se dispõe a comentar as realizações daquele período na cidade.

Em entrevista à Folha por telefone e depois em seu escritório no Rio, de onde se visualiza a praia de Copacabana do alto, Niemeyer afirma que a forma do Copan, antes de ser um elogio à curva -marca do arquiteto-, apenas acompanhava as dimensões do terreno localizado nas proximidades da avenida Ipiranga. “A arquitetura é feita de programas, do terreno e da invenção do arquiteto. Quando eu fiz o Copan, a rua era curva, e ele [o prédio] seguiu essa curva. Nada mais natural.”

E o que opina Oscar Niemeyer sobre a forma como foi construído o Copan? “Foi um projeto que eu fiz com outros colegas para São Paulo, convidado pelo Frias [Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, que deu impulso inicial ao projeto de construção e comercialização do Copan]. É da amizade com Frias que eu me lembro quando falam do Copan. É um prédio de apartamentos, simples. É um prédio que está bem.”

Estudiosos da obra de Niemeyer dizem que os trabalhos do início da década de 50, empreendimentos imobiliários realizados durante o “boom” da construção em São Paulo, sofreram mudanças, muitas vezes sem que o autor tivesse sido consultado.

Essas incisões descaracterizaram as idéias originais. No caso do Copan, isso ocorreu principalmente a partir de 1958, quando o Bradesco assumiu a obra após a falência da empresa originalmente responsável pelo projeto. Niemeyer, decepcionado, chegou a expressar ao amigo Carlos Lemos que os projetos dessa época não são de sua criação -Lemos recebeu procuração para tocar o Copan depois que Niemeyer foi a Brasília, mas também foi voto vencido em alterações no projeto.

Os andares de um bloco, que haviam sido projetados para abrigar um único apartamento, foram divididos em quatro para facilitar a comercialização dos imóveis. Uma rampa imaginada para a frente do Copan foi eliminada por decisão dos engenheiros.

E o que diz o criador sobre as alterações no projeto original? “Foram pequenos detalhes. Indiferente. Mas isso foi tão longe [no tempo]…” O senhor não quer comentá-las? “Não… quero discutir a [remoção de parte da] marquise do [parque] Ibirapuera. Aliás também cansei de discutir isso.”

Oscar Niemeyer segue trabalhando, agora só pelas manhãs, e reserva a tarde para receber os amigos -exceto às terças, quando participa de discussões filosóficas. Seu mais recente projeto, um complexo cultural de 222 mil m2, é disputado pelas cidades espanholas de Oviedo e Avilés, cujos prefeitos estão se digladiando para abrigar a criação do arquiteto. Talvez seja certo dizer que nem passa pela cabeça de qualquer um dos dois alterar as linhas desenhadas pelo arquiteto.

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