Música

Pra lembrar no ano – Sonic Youth no SWU

Depois de ler a entrevista do Lee Ranaldo a Rolling Stone gringa, permanecem fortes dúvidas sobre o futuro do Sonic Youth. Assim, lembrei de postar o texto que fiz pro G1 sobre o que pode ser a derradeira performance do grupo, em novembro passado, no SWU de Paulínia. (Foto: Caio Kenji/G1)

A banda Sonic Youth fez na noite desta segunda-feira (14), no SWU, aquele que pode ser o último show de sua carreira – o casal Kim Gordon e Thurston Moore anunciou sua separação há um mês. A apresentação teve o experimentalismo de sempre, sem esquecer de hits como “Sister” e “Sugar kane”. O destaque ficou para o final apoteótico e emocionado dos integrantes, com um mar de distorção que trouxe uma ponta de melancolia para os fãs do grupo de Nova York pela chance de aquele ser o capítulo final.

“Senhoras e senhores, nós somos o Sonic Youth. É um prazer enorme estar de volta ao Brasil com nossos irmãos e irmãs brasileiros”, resume Thurston Moore, segundos antes de começar a cantar “Schizophrenia”, já no meio do show. O público, debaixo de chuva, estava ansioso e já cobrava a presença deles bem antes do horário previsto para a apresentação.

O show trouxe músicas conhecidas de diversos momentos da carreira: “Death valley 69”, de “Bad moon rising” (1985), “Sister”, da disco de mesmo título de 1987, além de “Drunken butterfly” e “Sugar kane”, de “Dirty” (1991), álbum que surfou na onda do grunge (mesmo sem pertencer ao gênero) e se adequa ao clima de nostalgia pelos anos 90 do terceiro dia de SWU.

O tom emocional pelo “futuro incerto” (palavras de um comunicado oficial) do Sonic Youth ficou nas entrelinhas. Thurston Moore chegou ao palco brincando com Mark Ibold. O baixista, que era originalmente do Pavement e depois se uniu ao quarteto, ficou mais atrás, discreto como é de costume. Steve Shelley exibiu a mesma empolgação adolescente na bateria durante a execução de cada música. Lee Ranaldo também parecia de bom humor.

Kim Gordon, em um vestido todo vermelho, exibia a carranca conhecida. No telão era possível ver que já não era mais a musa indie dos anos 80 e 90, mas que ainda conservava o charme. Ela não se comunica com o público, não mostra emoção. Mas era impossível não recordar da atual situação da banda e matrimonial quando em “Flower” ela cantava “P…! A palavra é amor”.

A apresentação teve o experimentalismo do estilo do Sonic Youth, provavelmente incômodo para os metaleiros que esperavam pela apresentação do Megadeth na sequência do palco. Mas quem admira a banda sabe que fazia sentido o “barulho” daquilo tudo, construído sob inspiração da música de vanguarda do século 20 e dentro do espírito punk. Em um determinado momento, Thurston tenta fazer música esfregando a guitarra em cima da câmera de TV, o que trouxe tanto um belo efeito sonoro como uma imagem curiosa no telão do SWU.

Logo no final, com “Teenage riot”, Thurston Moore agradece a presença do fãs que lotaram o palco Consciência e diz que espera vê-los novamente – criando no público a esperança de que a banda não acabe após a separação.

No final do clássico que abre o disco “Daydream nation” (1988) acontece o momento mais bonito da apresentação, quando microfonia e distorção saem da fricção das guitarras de Moore e Ranaldo e do instrumento empurrado por Kim Gordon contra o amplificador. Com o barulho ainda ressoando, a baixista deixa o palco rapidamente, mas o ex-marido se senta e observa a plateia, talvez pela última vez ao lado desses colegas.

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