Escritos, Música

Você está sofrendo e está vulnerável. Aí vem uma música baba, mela-cueca, e…

Nunca vou me esquecer de um ‘resumo musical do ano’ de um tempo atrás feito pelos jornalistas do ‘Guardian’. Não pela ideia em si, que nada tinha de diferente do que é visto por aí religiosamente a cada dezembro. Mas um deles mandou a sua parte com a seguinte situação:

“É o dia 17 de setembro e acabo de ser dispensado sem cerimônia pela minha companheira, após 17 anos juntos. Neste momento de verdadeira fraqueza e desespero, uma música surge no rádio: ‘Como eu pude deixar você ir embora? Deixar você sair assim sem que ficasse nenhum rastro? Enquanto eu estou aqui de pé, suspirando por você, ooh, ooh… Você é a única que me conhecia de verdade…’. É aí que Against All Odds de Phil Collins fala a mim como nada falou em toda a minha vida”. […]

“Um outro amigo divide uma outra experiência dolorosa: ‘O problema quando você termina um relacionamento é que toda maldita música parece que está falando de você’.” O texto completo de Dave Simpson está aqui.

Lembrei dessa história depois de ter um encontrado um colega de trabalho no ônibus. Ele deve ter uns 22, 23 anos, e ficou fora por umas duas semanas porque quase morreu. Não sabia que era diabético e por isso ia levando a rotina sem as restrições de alimentação.

Enquanto voltava para casa, pensei naquele lance que já deu muito filme de Hollywood, de encarar a própria vida após enfrentar a chance real de bater as botas assim sem mais nem menos, uma bobeirinha qualquer e adeus, mundo. E imaginei entrando os acordes de ‘Viva La Vida’, do Coldplay, neste tal momento de agora-percebo-o-que-estava-em-jogo: TAM-TAM-TAM-TAM, ‘I used to rule the world. Seas would rise when I gave the word. Now in the morning I sleep alone…’. Boa, Chris Martin. Agora eu posso renascer.

Pois é. Justo a música mais usada nas festas de casamento hoje em dia, naquela breguíssima hora de perfilar as imagens dos pombinhos, da infância sem que se conhecessem até o encontro apaixonante. Justo uma das trilhas sonoras fixas do programa da Ana Maria Braga. Justo o fundo musical daquelas horríveis colagens com foto no YouTube a respeito de ‘emocionantes jornadas pessoais’.

Contra sentimentos genuínos não há argumentos. A música vale o que ela te proporciona. Mas em algum lugar, Deus falaria ‘Coldplay? Jesus do céu. Será que eu fiz certo em…’.

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s