Música

Antes tarde do que nunca – Coachella

mstrkrft1Demorou porque estava esperando as fotos chegarem – mas eu não faria dois posts sobre a minha última viagem aos States sem dedicar um exclusivo a respeito do motivo principal: o Coachella.

Não planejava gastar uma parte da poupança neste ano só para ver um festival. Aliás, nunca tinha feito uma extravagância do tipo, já que o Coachella de 2007 (uma das experiências mais exaustivas que eu tive na minha vida) e o Bonnaroo de 2008 foram a trabalho e pagos pela firrrrrrma.

Mas quando vi um line-up com Paul McCartney, Leonard Cohen, My Bloody Valentine, The Black Keys, The Cure, Yeah Yeah Yeahs, TV on the Radio e mais outras cem bandas eu pirei. Bom, pra resumir: Macca era sonho de adolescência e tinha sido confirmado no Coachella, o melhor festival do mundo. Achei que finalmente havia chegado o momento de tirar o escorpião do bolso e, mesmo sem férias, bancar uma viagem de cinco dias para a Califórnia.

coachellaO clima do Coachella é maravilhoso. O festival fica na cidade de Indio, mais exatamente num campo de polo no meio do deserto, e recebe mais ou menos 180 mil pessoas em três dias. O clima é, duh, bastante seco, e nessa época do ano faz ao redor de 35º. Não sei se o paralelo é muito preciso, mas a atmosfera tem um quê de Carnaval (ou pelo menos do que eu esperaria de um Carnaval). Galera numa felicidade absurda – mas não compulsória, à diferença do Carnaval daqui – e muito à vontade, cada um do seu jeito.

Para resumir de forma simples se valeu ou não ter apostado na minha ida ao Coachella basta dizer que três dos shows que eu vi lá foram direto pro top 10 da vida (e olha que eu já vi muita coisa boa, até por obrigação profissional). Abaixo seguem alguns resumos do que foi essa experiência que eu acho obrigatória para todo fã de rock, além de imagens que eu fiz exceto quando indicado. Se você tem condições de uma pequena extravagância roqueira, vá sem hesitação pra algum próximo Coachella.

mbvMy Bloody Valentine – Eles mudaram a minha vida quando vi pela primeira vez o clipe de ‘Only Shallow’ na MTV uns 15 anos atrás. Talvez eles tenham me colocado no caminho de me tornar algo próximo de um nerd musical.

Mas sempre achei que o My Bloody Valentine ao vivo não faria jus ao que é o grupo no estúdio – ou o que é o gênio de Kevin Shields no estúdio. Eu estava é muito enganado.

O que me veio à cabeça é a sensação de um fã raivoso em um show de heavy metal. Shields parece saber que não é possível reproduzir as nuances e texturas dos álbuns. Aposta na agressividade. Na porrada.

‘Only Shallow’, ‘Soon’, ‘Come in Alone’, os clássicos de ‘Loveless’ se combinam com a leve psicodelia do cenário do palco e batem em cheio em mim. O ‘ver My Bloody Valentine ao vivo’ não corresponde ao que eles representam para mim – me surpreende. Nesse momento eu estou pulando, chacoalhando a cabeça como um headbanger e pavimentando o caminho para passar mal um pouco depois (tinha comido um sanduíche trashão segundos antes de começar o show). Ou talvez simplesmente tenha sido efeito dos 13 minutos de holocausto de barulho no meio de ‘You Made Me Realise’ – um VROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMMM que fez muita gente tampar os ouvidos, seguindo a tradição desse momento. Ruído, beleza, absurdo.

Foto: Mick oOo

leonardcohenLeonard Cohen: ‘Everybody Knows’ é a minha letra favorita de todos os tempos. Mas o arranjo das músicas do velho Cohen, setenta e poucos anos, nunca desceram bem comigo. ‘Ain’t No Cure for Love’ tem um sax na introdução que parece tocado pelo Kenny G (eca).

Mas é muita emoção quando o velho entra em cena. O show começa com ‘Dance Me to the End of Love’, com o corinho das backing vocals dele. La, la, la, la, la e você já está à beira das lágrimas.

‘Hallelujah’, rapaz… que Jeff Buckley nada. A melhor versão é a do dono mesmo. Aí sim o público vai abaixo. E mesmo ateus entoam mentalmente ‘Leonard Cohen é meu pastor e nada me faltará’. Ao menos musicalmente.

Foto: Mick oOo

paulPaul McCartney – Eu me lembrei do meu amor em ‘Blackbird’, lembrei do meu irmão em ‘Drive My Car’, lembrei dos meus pais em ‘Yesterday’. Lembrei das pessoas de quem eu gosto.

Disse o Paul que naquela noite ele estava ‘emotional’. O dia marcava aniversário da morte da Linda, para quem ele dedicou ‘My Love’. Olivia Harrison estava na platéia, e assim ele fez uma raríssima versão de ‘Something’, do George.

Esse show e esses momentos ficam até o fim da vida. ‘Você sabia que uma vez eu assisti a um show do Paul, sabe?…’

Foto: sophieandmichellew@yahoo.com

blackkeysThe Black Keys – Outra banda que eu estava super a fim de assistir (perdi no Coachella de 2007) e que cumpriu definitivamente as expectativas. No início do show estava no pit dos fotógrafos e os caras emenderam um sequência fodíssima de músicas. ‘Tinha ‘Girl Is on My Mind’, ’10 AM Automatic’… mais tarde, na platéia, rolou ‘Strange Times’, que provocou mais reação entre todas da apresentação.

Impressionante como só os dois sozinhos têm uma pegada e um peso. O blues às vezes vira  porrada, mas não descamba pra um barulho tosco.

Cairia superbem em algum clube pequeno de SP. Produtores se habilitam?

mstrkrft2MSTRKRFT – Falando em tocar no Brasil, esses daí já estavam com nome na programação e tudo no Skol Beats de 2007. Até que chega a notícia que eles haviam ficado presos no aeroporto de Buenos Aires por falta de condições de voo ou uma merda qualquer assim.

Muita gente lamentou, mas digo hoje, não lamentou o suficiente. É completamente insano o que o MSTRKRFT faz em um set deles.

Chemical Brothers, que tocaram imediatamente antes, ficaram no chão – tipo velhinhos que perderam o ritmo e o jeito de como fazer a parada direito.

A cada virada no set o público ia à loucura numa tenda que explodia de lotação (Dá uma sacada na foto principal do post, lá em cima). Grandes momentos: quando eles mandaram ‘D.A.N.C.E.’, do Justice, e ‘Satisfaction’, de Benny Benassi.

Eu fiquei um bom tempo no pit dos fotógrafos e, obviamente, não havia o que fazer em direção ao palco. O barato era festa que faziam a platéia e as cachorras de shortinho e todas sensuais na área reservada. Era um Carnaval, com música diferente e foda, mas sem pegação – apesar de toda a atmosfera. Afinal de contas não era Brasil.

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