Música

Radiohead e o não-modelo de “In Rainbows”

Está hoje no inglês Observer (o “Guardian” aos domingos) um papo com o Radiohead feito a partir de perguntas enviadas por internautas. Na verdade, não vi nada de monumental (e eu sempre acho que esse tipo de matéria pode render momentos hilariantes, como essa com Richard “sem Deus” Dawkins), mas a entrevista ilumina alguns pontos sobre o esquema “quer pagar quanto?” de “In Rainbows” e traz uma ou outra informação interessante.

O principal é que o Radiohead não fez muito dinheiro com a empreitada (o “muito” é subjetivo, sim). Diz o baixista Colin Greenwood: “Se o objetivo de fazer isso era ganhar muito dinheiro, nós teríamos assinado com a Universal [eles estavam sem contrato com uma gravadora] dois meses antes. […] Nenhuma pessoa sana teria lançado um disco dessa forma para ganhos financeiros”. Um pouco mais tarde, o mesmo Colin diz: “[O modelo] Não é prescrição para nós nem para ninguém”.

A questão aqui, fundamental frisar, não é mensurar o sucesso da empreitada “In Rainbows” a partir da base monetária. Eu tenho a opinião de que eles foram muito bem (provocaram o debate, colocaram na praça um belo disco, levantaram um interesse e uma excitação sobre um trabalho musical como há muito não havia), mas eu tinha essa curiosidade de como eles se sustentaram como empresa capitalista. Ou seja, depois de se preocupar com produção e distribuição do material, e outras coisas chatas de empreendedores, o Radiohead teve um retorno superior à opção de simplesmente fechar um contrato com uma major, gravar e esperar a grana ser depositada? A resposta é não. Mas duvido que o Radiohead veja isso como uma única medida ou medida mais importante do que eles acabaram de fazer. Duvido. Anyway, também acredito que a conta final ainda está longe de ser fechada.

No papo com o “Observer” ainda tem os mitos, conspirações e lendas surgidos a partir das letras e do simbolismo de “In Rainbows” (contas matemáticas malucas? Bíblia? Goethe? Taoísmo?) e, mais uma vez, promessas de que desta vez, eles vem para América do Sul e, conseqüentemente, para o Brasil. Bueno, vale dar uma conferida na entrevista, vai .

PS: Nessa minhas férias, resolvi dar uma passada no Nokia Trends ontem no Memorial da América Latina e, cacete, mais uma vez a organização de um festival dá margem para emputecer o público. Ao contrário do que eu pensava, eles receberam uma platéia razoável, mesmo com tanto evento concorrente na mesma época. Primeiro, a cerveja custa R$ 4, mas eles só vendiam um mínimo de R$ 10 em fichas e o pior, só vendiam “múltiplos de 10”, ou seja fichas de 10, 20, 30, 40 reais… Um calor desgraçado lá dentro (alô, ar-condicionado?). Fila no banheiro. Ingresso de R$ 100 (não é barato, vamos combinar?). E, pior, atrações nada sensacionais (vi o Van She, o Underground Resistance, o Phoenix até uma parte). Dá pra fazer mais do que isso, mas a julgar do tanto de problemas que a gente viu neste ano nos festivais, a disposição não está muito forte, não.

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