Música

Alejandro Escovedo, um fodido

Resolvi desentocar algumas faixas do iPod que não escutava há algum tempo, um ano e pouco depois de adquirido o negócio, e vi que muita coisa fina estava sem atenção. Uma delas é Alejandro Escovedo, que apesar do nome e do look de cantor moderno de guarânia, é tido como um grande nome do folk norte-americano e do country alternativo. Mas pouca gente dá bola pra isso, e Escovedo é constantemente rotulado como subestimado, maldito, underrated. Eu também me dei conta: até aqui no meu iPod o coitado fica esquecido.

Ele, porém, talvez não seja um coitado e sim um fodido, um fodido na vida. (Por sinal, títulos de maravilhas de sua autoria como “Bury Me”, “Died a Little Today” e “Pyramid of Tears” não passam uma imagem exatamente cor-de-rosa da vida.) Escovedo começou como um punk chicano na década de 70, fez a rota de excessos, encheu a cara até se acabar, teve sua cota de drogas pesadas e, depois de um tempo, foi diagnosticado com hepatite tipo C. Aí que a porca torceu o rabo.

Hepatite C significa sangramento interno, fígado corroído, cirrose. E como Escovedo é um fodido na vida a história ficou ainda mais feia, porque ele não tinha dinheiro para pagar o tratamento. Os amigos, sabendo que um compositor da estirpe dele estava morrendo, e ainda de uma maneira pra lá de desgraçada, organizaram um tributo com gente como Cowboy Junkies e John Cale (Velvet Underground). Mais do que uma homenagem à obra de Alejandro Escovedo, era questão de pagar as contas do hospital – daí o tributo se chamar “Por Vida”.

Resistente do tipo vai-precisar-mais-do-que-isso-para-me-derrubar, conseguiu voltar aos trilhos e hoje está na ativa, com turnê marcada e tudo mais pelos EUA. Mas continua um fodido, isso não se nega. Recentemente, durante uma apresentação no Newport Folk Festival, uma tia sem noção gritou para Escovedo: “Toca ‘La Bamba'”. Ele respondeu: “Acho que a senhora pegou o mexicano errado”.

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Um comentário sobre “Alejandro Escovedo, um fodido

  1. wow.

    não sabia que tinha o tributo, nem que ele era assim tão precisado de um banho de sal grosso (bom, a letra e a voz em “59 years” deviam ter me dado uma pista disso mas acho que creditei tudo à ficção).

    obrigada!

    :*

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