Uma bela festa o lançamento do disco de estreia do Bixiga 70 no Cine Jóia. Casa cheia, atmosfera incrível e uma banda feliz em cima do palco. Embora tenha aparecido um ou outro sinal de limitação na interação do público com o afrobeat (vi três pessoas bocejando; não sei se o fato de ser instrumental tem influência), a maioria das pessoas estava interessada e animada. A apresentação não foi puramente instrumental se a gente pode levar em conta a maravilhosa performance das três dançarinas em algumas músicas. Sem elas não teria sido o mesmo.
Depois de ler a entrevista do Lee Ranaldo a Rolling Stone gringa, permanecem fortes dúvidas sobre o futuro do Sonic Youth. Assim, lembrei de postar o texto que fiz pro G1 sobre o que pode ser a derradeira performance do grupo, em novembro passado, no SWU de Paulínia. (Foto: Caio Kenji/G1)
A banda Sonic Youth fez na noite desta segunda-feira (14), no SWU, aquele que pode ser o último show de sua carreira – o casal Kim Gordon e Thurston Moore anunciou sua separação há um mês. A apresentação teve o experimentalismo de sempre, sem esquecer de hits como “Sister” e “Sugar kane”. O destaque ficou para o final apoteótico e emocionado dos integrantes, com um mar de distorção que trouxe uma ponta de melancolia para os fãs do grupo de Nova York pela chance de aquele ser o capítulo final.
“Senhoras e senhores, nós somos o Sonic Youth. É um prazer enorme estar de volta ao Brasil com nossos irmãos e irmãs brasileiros”, resume Thurston Moore, segundos antes de começar a cantar “Schizophrenia”, já no meio do show. O público, debaixo de chuva, estava ansioso e já cobrava a presença deles bem antes do horário previsto para a apresentação.
O show trouxe músicas conhecidas de diversos momentos da carreira: “Death valley 69″, de “Bad moon rising” (1985), “Sister”, da disco de mesmo título de 1987, além de “Drunken butterfly” e “Sugar kane”, de “Dirty” (1991), álbum que surfou na onda do grunge (mesmo sem pertencer ao gênero) e se adequa ao clima de nostalgia pelos anos 90 do terceiro dia de SWU.
O tom emocional pelo “futuro incerto” (palavras de um comunicado oficial) do Sonic Youth ficou nas entrelinhas. Thurston Moore chegou ao palco brincando com Mark Ibold. O baixista, que era originalmente do Pavement e depois se uniu ao quarteto, ficou mais atrás, discreto como é de costume. Steve Shelley exibiu a mesma empolgação adolescente na bateria durante a execução de cada música. Lee Ranaldo também parecia de bom humor.
Kim Gordon, em um vestido todo vermelho, exibia a carranca conhecida. No telão era possível ver que já não era mais a musa indie dos anos 80 e 90, mas que ainda conservava o charme. Ela não se comunica com o público, não mostra emoção. Mas era impossível não recordar da atual situação da banda e matrimonial quando em “Flower” ela cantava “P…! A palavra é amor”.
A apresentação teve o experimentalismo do estilo do Sonic Youth, provavelmente incômodo para os metaleiros que esperavam pela apresentação do Megadeth na sequência do palco. Mas quem admira a banda sabe que fazia sentido o “barulho” daquilo tudo, construído sob inspiração da música de vanguarda do século 20 e dentro do espírito punk. Em um determinado momento, Thurston tenta fazer música esfregando a guitarra em cima da câmera de TV, o que trouxe tanto um belo efeito sonoro como uma imagem curiosa no telão do SWU.
Logo no final, com “Teenage riot”, Thurston Moore agradece a presença do fãs que lotaram o palco Consciência e diz que espera vê-los novamente – criando no público a esperança de que a banda não acabe após a separação.
No final do clássico que abre o disco “Daydream nation” (1988) acontece o momento mais bonito da apresentação, quando microfonia e distorção saem da fricção das guitarras de Moore e Ranaldo e do instrumento empurrado por Kim Gordon contra o amplificador. Com o barulho ainda ressoando, a baixista deixa o palco rapidamente, mas o ex-marido se senta e observa a plateia, talvez pela última vez ao lado desses colegas.
Tem cara de algo dos anos 60, retrô descarado, mas é uma mudança de acorde no meio da música que me ganhou.
Gostaria de que provassem que estou errado, mas 2011 pareceu um ano morno na música (na vida, ‘incômodo’). Até porque coroas como eu lembraram de 1991 (ano de ‘Nevermind’, ‘Bandwangonesque’, ‘Loveless’, ‘Screamadelica’, ‘Blood Sugar Sex Magik’, ‘Achtung Baby’ e por aí ia, numa lista impressionante) e a comparação é indecente. Mesmo assim, resista à tentação da nostalgia, porque são tempos empolgantes de viver e, sim, há condições de fazer uma boa lista de resumo do ano.
Como sempre, faixas soltas. Apesar de ‘Let England Shake’ da PJ Harvey ser uma obra-prima como um todo – e azar o seu se ouviu e não gostou – continuo com a ideia de fazer só uma playlist do ano e não uma tentativa de compilar os melhores discos. E ela vai a seguir, com links de clipe/áudio, e a seleção toda com Grooveshark no final:
tUnE-yArDs – Powa: Garota hippie dorme-sujo canta com o coração. Simpatizei com uma hippie depois dos 30, veja só.
PJ Harvey – The Words that Maketh Murder: É sobre a guerra, sobre horrores da guerra, coisa séria, mas a citação a ‘Summertime Blues’ (‘E se eu pudesse levar meus problemas para a ONU?’) ficou ressoando o ano inteiro na cabeça.
Tom Waits – Get Lost: Bons os tempos em que eu podia ficar bêbado e fazer besteira. Não mais.
James Blake – I Never Learnt to Share: Eu não culpo eles também, James.
St. Vincent – Year of the Tiger: O Ano do Tigre veio um ano atrasado. Tô exagerando, mas olha…
John Zorn – Between Two Worlds: Aprendi neste ano que não existe artista que trabalhe mais do que esse sujeito e que seja mais pirado musicalmente.
Tinariwen – Tenere Taqqim Tossam: Foi a travessia do deserto (caramba, como a gente encontra simbologia fácil).
Bixiga 70 – Mancaleone: Brasil alcança excelência até pra fazer afrobeat. A fase é boa. E, mais, São Paulo é o lugar. Para de reclamar, vai.
Wado (com Curumin) – Esqueleto: Sempre genial, mas nunca será. Assim é a vida.
Tom Vek – A Chore: Nada mais que uma obrigação? Aí não dá.
Foster The People – Pumped Up Kicks: Não dancei na pista uma única vez essa música até a presente data de publicação. Mau sinal.
The Black Keys – Lonely Boy: Falando em dançar, o clipe no link ao lado lembra como eu danço – na melhor das hipóteses.
TV on the Radio – Caffeinated Conscious: Café, uma das melhores coisas da vida. Só assim para levar. When your mind is burned / on optimistic / on overload
Kurt Vile – In My Time: Só com violão ainda dá para fazer estrago.
Lana del Rey – Video Games: Os lábios mais carnudos (carnudo/a é uma palavra legal, né?) do ano cantam uma das músicas do ano.
Anna Calvi – No More Words: Quando a gente aceita imitações (da PJ Harvey).
The Joy Formidable – Whirring: Um dos prazeres com culpa da temporada.
Não sabemos mais ouvir (o outro falar). Precisamos reaprender. Sério.
Publicado: novembro 2, 2011 em BlogrollPara não tornar default o almoço no grego Acrópoles quando o passeio é na região da Luz e do Bom Retiro, resolvi dar um Google na correria para ver se tinha uma outra alternativa para depois da Pinacoteca. Antes mesmo de apertar o search, a primeira coisa que vem à cabeça são os restaurantes coreanos da região. E, sim, dá algum receio quando você vê logo na página inicial de resultados para ‘Restaurantes Bom Retiro’ as notíciais de bibocas autuadas pela presença de carne canina no menu (costume enraizado na Coreia e alguns lugares da China, combatido nos tempos modernos por lá). Pois é, não dá pra encarar Filé Au Au, por mais hipócrita que possa parecer a ojeriza – afinal, boi não é de estimação, mas é bicho como cachorro.
Os casos de polícia são exceção e, portanto, uma grande besteira riscar os coreanos do Bom Retiro das opções. A busca rápida apontou para o Namu (rua Prates, 221, 11-3228-6126, atrás do Parque da Luz), casa que tem como carro-chefe o Shabu Shabu. É a versão coreana do Shabu Shabu japonês – que por sua vez é bem parecido com sukiyaki. Há também quem fale que é o mesmo conceito do fondue, sem queijo nem chocolate (grazadeus) no meio. Antes de falar sobre o prato é legal citar que as entradinhas são discretas mas bem gostosas: uma salada com uma farofinha de castanha por cima, uma tigela para pepino em conserva e outra para nabo curtido na beterraba. O lugar tem uma decoração clean, enjoada até. Segundo as garçonetes (o 10% de serviço não é cobrado, lembre-se delas!), o lugar existe há 3 anos e é mais frequentado mesmo pela comunidade coreana. No cardápio ainda há também pratos vietnamitas, além de sushi, sashimi e rolls.
O Shabu Shabu (R$ 29 por pessoa), como o Sukiyaki, vem com verduras cruas (acelga, abóbora, shimeji, champignon, kamaboko, cebolinha verde), cozidas em cima da mesa com a panela típica. A carne – cortada bem fininha – vem separada e é colocada depois. Depois de um tempo, com o seu próprio hashi, você pega cada ingrediente do prato e coloca ou no shoyu ou naquela pimenta ardida coreana (‘um pouco mais de cerveja, por favor’). É sensacional.
Mas não acaba por aí. Com água usada para o cozimento da primeira parte é feito uma espécie de sopa com arroz, ovo, cenoura e outras verduras. Ótimo complemento se você não já se satisfez com a primeira panela. Vale a ida. Espero conhecer ainda outros coreanos do Bom Retiro.
Da lendária gravadora 4AD (Pixies, Cocteau Twins e tanta coisa boa), apareceu há uns 2 anos essa esquisita americana canadense com cara de hippie que não curte banho e de nome de guerra tUnE-yArDs. Saíram dela algumas das músicas mais intrigantes deste ano e uma que me emocionou especialmente, ‘Powa’. Não é pra todo mundo, verdade. Tem uns lances bizarros na música dela.
Há pouco, Ad-Rock do Beastie Boys soltou um remix para ‘Gangsta’, o hit do álbum mais recente. Vê se você curte. Vale a pena conferir também a original e o resto do disco ‘w h o k i l l’.
Fiz uma coletânea de afrobeat para o blog Don’t Touch My Moleskine e olha que ficou bem bacana. Escute logo abaixo. Acima, Fela Kuti com suas esposas (É, amigo…).
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Me trancar com uma garrafa de uísque e ouvir essa porra no repeat adoidado.
Segundo os caras, a promoção-homenagem a Marty McFly já tá durando 3 meses e não tem previsão de acabar. (E eles garantem que a comida também não é de 2007). Olha que a aparência do lugar até que não é, digamos, boca-de-porco. Faltou só a oportunidade de desfrutar das iguarias de lá. Tá reclamando que o Rubayat anda demais para o seu bolso? Agora ficou fácil. Vai na Av. Jabaquara, 2592, ao lado do Metrô São Judas.
Claro que não, né? Mas o dedilhado na última música do novo disco se parece demais com ‘Anunciação’, aquela do ‘Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais….’. Compare ‘One Sunday Morning (Song for Jane Smiley’s Boyfriend)’ com o clássico pernambucano.
E bora lançar o projeto Wilco no Rec Beat 2012?
Pelo costume recente de guardar os clipes que eu gosto. E, é, sampleia aquele filme.
Mapa dos japoneses sem requinte em SP ou ‘espeluncas japonesas’
Publicado: agosto 27, 2011 em ComidaImagine a seguinte situação: você sabe de um lugar com excelente comida japonesa. Mas você não está só e a sua companhia, sem ter ideia das delícias que poderia provar, olha pro local e faz uma cara de ‘que espelunca é essa que você tá me trazendo?? E como assim não tem rodízio??’. É sobre esses lugares que estamos falando. São espeluncas ou botecos japoneses.
A ideia é mostrar em um mapa lugares simples, de preços baixos (mais ou menos, já que se trata de comida japonesa) e de ambiente pouco requintados (Izakaya Issa já não dá, embora seja sempre listado como exemplo de ‘boteco japonês em SP’). Preferência por lugares com bons teishokus. A Annix listou alguns bem legais que estão na relação. E queremos mais indicações. Para mais detalhes, clique no view larger map logo abaixo do mapa.
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